Muito lugar hoje em dia tem um assunto em comum: alguém comenta da crise, outro fala em morar fora, e dali a pouco aparece uma frase parecida com “acho que minha avó era espanhola, será que rola cidadania espanhola?”. A ideia de ter passaporte da União Europeia deixou de ser só sonho distante e virou plano concreto para muita gente, mas, entre querer e conseguir, existe um caminho cheio de detalhe, papelada e prazo.
O lado bom é que cidadania espanhola não é algo tão complexo quando alguém coloca luz nesse local. A partir do momento em que dá para entender quem tem direito, quanto custa, quais documentos entram na brincadeira e como funcionam os prazos, tudo fica mais pé no chão. O Embarkei entra aqui: vamos te mostrar todos os detalhes para você entender sobre o tema. Bora!
Entenda como funciona a cidadania espanhola para brasileiros
A cidadania espanhola é o reconhecimento de que a pessoa também é cidadã da Espanha, com todos os direitos e deveres ligados ao país. Isso significa:
- Poder morar e trabalhar legalmente na Espanha;
- Ter acesso a serviços e benefícios como qualquer espanhol;
- Circular com mais liberdade por outros países da União Europeia;
- Transmitir essa nacionalidade para filhos, e em vários casos, para netos.
Um ponto importante: Espanha e Brasil aceitam dupla nacionalidade em muitos casos. Ou seja, não se trata de “trocar de país”, e sim de somar.
A carteira de identidade continua verde e amarela, mas o passaporte ganha capa vermelha também.
Para os brasileiros, isso vira uma espécie de “plano B avançado”: estudar fora, abrir portas de carreira na Europa, subir um degrau na sensação de segurança de longo prazo.
Custo do processo de dupla cidadania na Espanha
Quando o assunto anima, a pergunta de quanto sai essa história de cidadania espanhola no bolso sempre aparece, claro.
Não existe um valor único para todas as situações, mas dá para enxergar o cenário por partes. Em geral, entram quatro grandes blocos de gasto:
- Taxas oficiais na Espanha: são valores pagos ao governo espanhol para analisar o pedido de nacionalidade. Variam conforme o tipo de processo (descendência, residência etc.), mas costumam girar na casa de algumas centenas de euros;
- Documentos e cartórios no Brasil: certidões em inteiro teor, apostilamento, reconhecimento de firma… cada documento tem um custo, e quem precisa montar a árvore genealógica inteira acaba somando um valor considerável;
- Traduções juramentadas: documentos brasileiros que vão ser usados na Espanha muitas vezes precisam de tradução juramentada para o espanhol. Essa etapa pesa bastante no orçamento de quem tem certidão demais na pasta;
- Assessoria ou advogado (quando a pessoa decide contratar): não é obrigatório, mas é comum em processos mais complexos. Entra aqui o valor para quem prefere ter alguém especializado cuidando da parte técnica.
A cidadania espanhola costuma representar um investimento de alguns milhares de reais, somando tudo.
Por isso, ajuda muito tratar o processo como projeto financeiro também: planejar, orçar, dividir em etapas e não sair emitindo documento sem saber se realmente será usado.

Quem tem direito à cidadania espanhola?
Nem todo brasileiro que ama Barcelona entra automaticamente no jogo da cidadania espanhola.
A lei espanhola traz caminhos bem definidos, e o primeiro passo é entender em qual deles a história da família encaixa.
De forma geral, os principais grupos são:
- Descendentes de espanhóis (filhos, netos e, em alguns casos, bisnetos);
- Brasileiros que moram legalmente na Espanha por um período mínimo;
- Pessoas casadas com espanhol ou espanhol;
- Descendentes de espanhóis afetados pela história da Guerra Civil e do franquismo, beneficiados pela Lei da Memória Democrática (a famosa “Lei dos Netos”).
Cada caminho tem regras, prazos e documentos específicos. Uma pessoa pode ter uma avó espanhola e morar na Espanha ao mesmo tempo, por exemplo, e aí surgem duas rotas possíveis.
Nesses casos, a ideia é comparar tempo, custo e chance de aprovação para escolher o melhor trajeto.
Sobrenomes espanhóis para pedir a nacionalidade na Espanha
Um mito clássico: “meu sobrenome é bem espanhol, então devo ter direito à cidadania espanhola”.
Sobrenome ajuda a desconfiar da origem, mas não passa de pista. A parte que realmente conta é o conjunto de documentos que provam que existe um ascendente espanhol na família.
Tenha em mente:
- Sobrenome igual ao de famílias espanholas não garante nada por si só;
- Grafia parecida também não é prova;
- O processo olha para certidões, registros e documentos oficiais, não para a sonoridade do nome.
O sobrenome espanhol é aquele amigo que aponta uma direção: “olha, talvez tenha espanhol nessa árvore aqui”.
O caminho completo, porém, precisa ser construído com papel, data, cartório e registro. A frase bonita no RG não substitui o pacote de certidões na hora de pedir cidadania espanhola.
Documentos necessários para iniciar o processo de cidadania na Espanha
O coração da cidadania espanhola são as certidões e registros. Elas montam a linha do tempo da família, provam quem é filho de quem e conectam o brasileiro ao antepassado espanhol.
A lista muda conforme o tipo de processo, mas alguns grupos aparecem quase sempre:
- Do ascendente espanhol (pai, mãe, avô, avó, bisavô): certidão de nascimento espanhola ou assento de batismo, certidão de casamento, quando existir e, às vezes, certidão de óbito;
- Da linha brasileira (gerações intermediárias): certidões de nascimento em inteiro teor de filhos, netos e bisnetos, certidões de casamento em inteiro teor e documentos de identidade;
- Do requerente: certidão de nascimento em inteiro teor, RG ou passaporte, certidões de antecedentes criminais do Brasil e de outros países onde morou;
- Formalidades extras: apostila de Haia em documentos brasileiros, traduções juramentadas para o espanhol, quando necessário e formulários próprios do consulado ou do registro civil espanhol.
Em pedidos baseados na Lei da Memória Democrática, entram também documentos que mostram a história do ascendente espanhol: exílio, perda de nacionalidade por motivo político, saída do país em época de guerra e assim por diante.
É quase uma investigação de filme, mas com impacto direto na vida atual.
Passo a passo de como solicitar a sua segunda cidadania
Agora vem a parte de transformar a ideia de cidadania espanhola em um roteiro. O passo a passo abaixo é uma base que funciona para a maioria dos casos, com pequenas adaptações conforme o tipo de pedido.
Passo 1: descubra por qual caminho entrar
O ponto de partida é identificar o tipo de cidadania espanhola que faz sentido para a sua história: descendência, residência, casamento ou Lei dos Netos.
Essa escolha define documentos, prazo, necessidade de exame e até onde o processo será protocolado (Brasil ou Espanha).
Passo 2: reconstrua a árvore de documentos da família
Com o caminho claro, é hora de virar detetive de cartório. A missão é montar uma linha de certidões que liga o ascendente espanhol até o requerente, sem buraco no meio.
Entra tudo: nascimento, casamento, óbito e, quando existir, registros antigos da Espanha.
Passo 3: organize certidões, apostilas e traduções
Depois de encontrar as certidões certas, vem a parte de deixar tudo no formato exigido: inteiro teor, apostilamento conforme a Convenção de Haia, traduções juramentadas para o espanhol.
Essa é a fase mais burocrática, mas também a que prepara o terreno para que o processo não volte cheio de exigências.
Passo 4: preencha o formulário e protocole o pedido
Com o pacote documental pronto, chega a vez de preencher o formulário específico, revisar dados, anexar tudo e pagar as taxas exigidas.
Algumas pessoas enviam a documentação diretamente para a Espanha, outras passam primeiro pelo consulado no Brasil. Seguir à risca a instrução de cada órgão é o segredo desta etapa.
Passo 5: acompanhe o andamento e responda exigências
Depois do protocolo, o processo entra na fila. Nesse período, a nacionalidade ainda não é certa, mas muita coisa está nas mãos da organização do próprio requerente.
Como funciona o acompanhamento do processo até a aprovação?
Acompanhar o processo de cidadania espanhola é quase como acompanhar um pedido de compra, só que em escala maior.
Em vez de rastrear uma encomenda, a pessoa rastreia a análise da própria nacionalidade, que costuma ser feito por:
- Plataformas oficiais do Ministério da Justiça espanhol;
- Sistemas de acompanhamento de consulado;
- Canais de atendimento indicados no protocolo.
Em cada etapa, o processo muda de status: recebido, em análise, pendente de documento, deferido, indeferido.
Saber ler essas fases evita ansiedade desnecessária e ajuda a entender se está tudo dentro do esperado ou se algo travou no meio do caminho.
Quanto tempo leva para ter a nacionalidade espanhola?
Essa pergunta sempre aparece junto da ansiedade. A resposta sincera: a cidadania espanhola leva tempo, e esse tempo não é igual para todo mundo. O prazo depende de fatores como:
- Tipo de processo (descendência, residência, casamento, Lei dos Netos);
- Volume de pedidos naquele período;
- Local onde o caso está sendo analisado (consulado, registro civil, ministério);
- Qualidade dos documentos apresentados.
Processos por descendência, em especial via Lei da Memória Democrática, podem ser concluídos em alguns meses em situações bem organizadas, mas também podem passar facilmente de um ano quando existe grande fila ou muita complexidade documental.
Já a nacionalidade por residência tende a demorar mais, porque envolve verificação de tempo de moradia, antecedentes e provas de integração.
A leitura mais saudável é encarar a cidadania espanhola como projeto de médio prazo. Esse é o tipo de coisa que muda muita coisa na vida, então naturalmente não anda na mesma velocidade de um cadastro em aplicativo.
Dicas práticas para acelerar o processo
Botão de “fast forward” não existe, mas dá para tirar da frente vários motivos clássicos de atraso. Algumas atitudes deixam o caminho da cidadania espanhola bem mais fluido:
- Caprichar na documentação desde o início: conferir nomes, datas e grafias em todas as certidões, pedir correção quando houver erro, evitar rasuras e formatos diferentes do exigido;
- Montar uma pasta do processo (física e digital): separar tudo por geração, guardar recibos, cópias, protocolos e comprovantes. Na hora em que alguém pedir “só mais um detalhe”, essa organização é importante;
- Estudar o canal certo antes de enviar: entender em qual consulado ou órgão o caso deve entrar, checar o checklist oficial atualizado e só então mandar o dossiê;
- Acompanhar o andamento com calma e constância: entrar periodicamente nos sistemas de consulta, sem exagero, mas sem esquecer que o processo existe;
- Avaliar ajuda profissional em casos complicados: histórias com muita mudança de país, documentos antigos demais, sobrenomes trocados ou dúvidas jurídicas podem realmente se beneficiar de apoio especializado.
E aí, vamos embarcar?
A cidadania espanhola é, também, história, memória de família, escolha de futuro e, muitas vezes, a sensação de que uma porta grande se abriu no mapa do mundo.
O processo exige paciência, atenção a detalhes e uma boa dose de organização, mas deixa de ser “novela infinita” quando alguém mostra o caminho com clareza.
O Embarkei segue aqui para isso: ajudar a transformar uma ideia que começa num comentário em projeto estruturado, com etapas, prazos e expectativas realistas.
Passaporte europeu ou não, a vida continua do lado de cá enquanto o processo anda do lado de lá.



